História do bairro

No final do século XIX, a Fazenda Monte Alegre era utilizada para o cultivo de cana-de-açúcar. Ali, criou-se um pequeno engenho colonial que empregava técnicas rudimentares na produção de açúcar bruto. Graças ao incentivo dado pela Lei Imperial n.° 1237 de 1870, o pequeno engenho se tornou um Engenho Central. Tal mudança possibilitou a modernização de instalações e equipamentos, garantindo assim um aumento na produção. Por volta de 1910, segundo historiadores, o engenho passou por fase de ampliação e na década de 1930 ficou conhecido como Usina Monte Alegre.

O bairro acompanhou a organização espacial da usina. Na via principal (atual Avenida Comendador Pedro Morganti), foram construídas as primeiras habitações feitas para operários e colonos, além de edifícios de uso coletivo, como comércios e serviços. Nos anos 1940, Monte Alegre era quase uma cidade: havia cerca de 5.000 colonos no local. Nessa época, a Usina de Monte Alegre era uma das principais forças econômicas de Piracicaba e dava sentido cultural e econômico ao povoado de Monte Alegre. Por volta de 1969, os antigos donos vendem a propriedade para os grupos Silva Gordo e Ometto; em 1981, a usina de açúcar e álcool é desativada, o que fez com que a população deixasse a área para procurar trabalho na cidade, permanecendo habitado apenas o núcleo de casas próximo à usina.

No decorrer dos anos 1980 e 1990, Monte Alegre tornou-se um pequeno bairro, tanto em dimensão como em número de habitantes. No censo de 2000, contava com 175 domicílios ocupados por 240 homens e 218 mulheres. Hoje vivem no bairro cerca de 150 famílias – aproximadamente 600 pessoas, a maioria aposentados da antiga usina.

Em meados do Século XIX, a economia brasileira era dominada pelos barões do café, senhores de grandes propriedades. Em Piracicaba, o café também teve destaque, embora a cana-de-açúcar fosse predominante na região. O solo fértil da cidade já despertava o interesse de homens de negócios. Um dos grandes proprietários da região, considerado um dos maiores latifundiários paulistas do século XIX, foi o Brigadeiro Luiz Antônio de Souza, dono de 16 engenhos por ali.

Por volta de 1814, Campos Vergueiro, um jovem português, bacharel em Direito e futuro senador, adquire as sesmarias Morro Azul e Monjolinho, nos campos de Araraquara. As propriedades são enormes fazendas, que se unem às fazendas do Taquaral e Monte Alegre, possuídas por Brigadeiro Luiz Antônio, por meio da sociedade agrícola Vergueiro & Souza. Com a morte do Brigadeiro, a viúva Genebra casa-se com outro fazendeiro e político poderoso, José da Costa Carvalho, o governador da província. Assim, a empresa Vergueiro & Souza se desfaz e, no acordo de separação das propriedades, Monte Alegre passa a pertencer ao casal Costa Carvalho.

Político, jornalista e grande senhor de terras, Costa Carvalho é um dos mais poderosos paulistas de seu tempo: fundou o primeiro jornal de São Paulo, O Faro Paulistano, e tornou-se o Marquês de Monte Alegre, o primeiro proprietário do Engenho de Monte Alegre. Em 1860, morre sem deixar filhos. Sua segunda esposa, Maria Izabel de Souza, herda seus bens e casa-se com um de seus primos, o Dr. Antônio da Costa Pinto e Silva. Nesse período, Monte Alegre recebe visitantes ilustres, como o escritor José de Alencar, amigo de Costa Pinto. Alencar é considerado o fundador do romance brasileiro e era fascinado por ambientes rurais. Ao se hospedar em Monte Alegre, encanta-se com o lugar, de onde tira inspiração para escrever o romance “Til” (1872), que acontece na zona rural de Piracicaba e Santa Bárbara.

Costa Pinto foi muito influente na segunda metade do Século XIX. Ocupou altos cargos e governou várias províncias. Morreu em 1887, deixando seus bens à esposa, Marial Isabel. Após o falecimento de Maria Isabel, a herança é dividida entre os sobrinhos de Costa Pinto, e então Monte Alegre passa por diversos outros proprietários, até ser adquirida por Pedro Morganti, em 1910.





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